sexta-feira, 2 de julho de 2010

Eu quero ser Wittgenstein quando crescer

Vem da infância o hábito que tenho de pensar sobre as palavras, achando bonitas algumas, feias outras, convencionais essas e exuberantes aquelas. Era natural, portanto, que as minhas primeiras leituras filosóficas, feitas na adolescência, tomassem a estrada que leva aos filósofos da linguagem.
É desse tempo que data a descoberta dos pensadores que eu, ao crescer, coloquei no lugar dos super-heróis da minha infância. O primeiro deles, e o mais admirado, foi o austríaco Ludwig Wittgenstein (1889/1951), por motivos fáceis de perceber: além da aura de gigante do pensamento contemporâneo, totalmente justificada à luz da contribuição original que deu a vários ramos do saber filosófico, Wittgenstein teve uma vida muito diferente do estereótipo do filósofo tradicional, geralmente acometido de uma discreta aversão a qualquer coisa prática que vá além de dar aulas. Filho de uma das famílias mais ricas de seu país, abriu mão de quase tudo em função dos pobres. Homem de pensamento, gostava de fazer trabalhos manuais, o que incluiu construir uma cabana num ponto isolado da Noruega, onde passava sozinho algumas temporadas para rever seus conceitos, e chegou a se alistar voluntariamente para servir de auxiliar de enfermeiro num hospital durante a guerra. Doutor aprovado com distinção numa das grandes universidades da Europa, quis ter a experiência de dar aulas para crianças numa pequena escola rural.
O adolescente romântico que eu era naquele tempo encantou-se pela aura de romantismo que essa biografia tem, relevando, como desprezível, as agudas crises existenciais de Wittgenstein e o estado depressivo que enfim o iria levar ao suicídio. Mas o que de fato me seduziu e me fez um admirador incondicional do filósofo, numa época em que eu ainda fazia esforço para entender as sofisticadas formulações de seu pensamento, foi o fato de ele ter sido capaz de escrever um importantíssimo livro sobre a linguagem e, depois de a obra inspirar uma revolução no pensamento ocidental, ter vindo a público com um outro trabalho que contestava radicalmente o primeiro, ao ponto de os especialistas falarem na clara distinção existente entre o primeiro e o segundo Wittgenstein.
A minha adolescência ficou de uma vez por todas marcada por esse exemplo ímpar da capacidade de auto-crítica e de substituição da vaidade pela busca contínua da sabedoria. E eu, naqueles anos de descobertas, embora reconhecendo que me faltavam — como ainda me faltam — o engenho e a arte para filosofar, tive vontade de ser, pelo menos, tão capaz quanto o filósofo austríaco de desmentir a mim mesmo quantas vezes julgasse necessário em nome da honestidade intelectual e do combate à estagnação mental. Pensando bem, vejo que o verbo "ter" deveria ter sido empregado no presente, pois a vontade, felizmente, ainda me acompanha. No fundo, eu quero ser Wittgenstein quando crescer.

2 comentários:

Anônimo disse...

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