terça-feira, 21 de abril de 2009

Trilha sonora


Faunos e ninfas na tarde
Passei parte da tarde na companhia de Debussy. Comecei com as três peças de "Noturnos" (Nuages, Fétes e Sirenes), escritas entre 1897 e 1899. Passei depois a "Jeux", aparecida entre 1912 e 1913 e considerada pela crítica uma das peças mais importantes da música ocidental. Terminei com "Prélude à l'après-midi d'un Faune", composta por Debussy entre 1892 e 1894, a partir do poema homônimo de Stéphane Mallarmé.
O poema, de temática mitológica, conta a história de um fauno que vive nos bosques a tocar sua flauta e se apaixona ao ver passar as ninfas e náiades. Ele tenta alcançá-las, mas não consegue. Cansado, dorme e sonha que as havia encontrado. O poema saiu em primeira edição em 1876, com desenhos feitos por nada menos que Manet. Do texto, um dos meus prediletos, são os trechos seguintes, respectivamente seu início e fim, na bela tradução feita em 1959 por José Lourenço de Oliveira:
O fauno:
Estas ninfas quero eu perpetuar.
Tão puro, o seu claro rubor,
que volteia no duro ar pesando a sopor.
Foi um sonho o que amei?
Massa de velha noite, essa dúvida,
sei, muito ramo subtil estendendo,
provava meu engano infeliz,
que enganado tomava por triunfo,
afinal um pecado de rosas.
Reflitamos.

***
Ó dura pena...
A alma de palavras vazia e o corpo em letargia
sucumbem afinal ao fero meio-dia.
Cumpre dormir assim, no olvido, de mansinho,
deitado nesta areia.
Ó que delicia ao vinho a boca oferecer e a seu astro eficaz!
Par, adeus: Quero ver como ûa sombra se faz.

1 comentários:

mariza disse...

e o impressionismo tomou conta de sua pessoa, Professor. *;)
excelente escolha para uma tarde outonal. Debussy é um dos meus favoritos. e o poema de Mallarmé, de uma beleza sensual arrebatadora.
para arrematar tanto enlevo, somente se aparecesse por aí o grande Nijinski.

boa semana.