terça-feira, 10 de março de 2009

Da terra ao céu


Visita ilustre

Um sanhaço-cinzento (Thraupis sayaca) tem sido a atração do meu quintal. Chegou discretamente no fim de semana e tomou lugar no pé de acerola próximo à janela da cozinha. De lá, costuma fazer saltitantes incursões pelo muro e o teto da lavanderia. De vez em quando volta ao ar e faz algumas das piruetas pelas quais sua espécie é conhecida.
No domingo, após um desses giros acrobáticos, ficou olhando para mim e para a casa com uma curiosidade de aluno no primeiro dia de aula. Retribuí o interesse observando-o com atenção. Estamos nos dando bem. O sanhaço-cinzento parece interessado em entender a vida aqui no chão, tanto quanto eu me interesso por entender a arte de brincar no céu.

5 comentários:

Mai disse...

Oi, Márcio.

Uma cena bucólica esta.
Sanhaços são 'pássaros-moleques'. Tenho um ninho deles em meu quintal, entre galhos de uma cerejeira.

São azuis, cintilantes em sua plumagem degradée.
O canto 'repicado' e agudo já me fez crer que eram canários celestes.

São 'hiperativos' os sanhaços e pulam-que-pulam e me encantam...

Da janela de onde os vejo, parecem ser pássaros irrequietos, irreverentes, adolescentes...

"Da terra ao céu", Márcio, gosto de sanhaços, do azul que cintila de sua plumagem, do canto dos pássaros, de acerolas tiradas dos pés, de cerejeiras em flor...
Gosto de adolescentes irreverentes.
Gosto da vida. De tudo que tem vida, gosto dos quintais, gosto de Minas, da poesia, dos poetas e da palavra...

Abraços,

Mai

mariza disse...

e entre chão e céu há todo um caminho que só passarinho conhece.
para isso servem as asas. feliz daquele que sabe usá-las.
acho que conhecer o céu, afinal, deve ser isso, chegar até lá feito pássaro.
belo.

nanda disse...

A felicidade está em coisas assim, aparentemente simples, como esta... gostei da sua relação com a natureza... continue sempre assim e não passará pela vida em vão.

Mai disse...

Márcio,

Lembrei de você porque editei um texto com música de Mozart que penso deves gostar.

Ave Verum Corpus...

Lembrei de ti... Não me pergunta porque...

Abraços,

Mai

Letícia disse...

Eu diria que você está diferente. A forma como escreve. Você é muito bom e esse pequeno texto fala alto e diz bem claro que não estou enganada. Se trata de um escritor tentando não ser escritor, mas não temos escolha, Márcio. Como a menina que escreveu diários, você também tem talento.