quinta-feira, 13 de outubro de 2011

A dor pós-moderna


O poeta pós-moderno
É um demolidor.
Para começo de conversa,
Derrubou a venerável tradição
De fingir a dor que de fato sente,
Alegando que esse charme, já antigo,
Não mais lhe convém.

O poeta pós-moderno,
É um pragmático.
Quando tem uma inquietação metafísica
Ou uma luxação no joelho
Admite de cara lavada,
Compra um anti-inflamatório
E põe tudo em versos livres.

O poeta pós-moderno
É um descarado.
Tem a desfaçatez e a irreverência
De dizer, sem figuras de linguagem,
Que não precisa de padecimentos,
Sejam seus ou dos outros,
Para fazer sua poesia.

O poeta pós-moderno,
Não está nem aí para fingimentos ou verdades.
Prefere descrever pernas e cinturas.
Ou, o que é pior, faz piada metalinguística
Usando a sagrada intertextualidade
Para debochar dos que ainda contam sílabas
E nelas põem suas dores poéticas.

Imagem: Robert Doisneau

1 comentários:

Anônimo disse...

Por favor amigo, pense no que está fazendo na cidade. Muita gente reprovando suas ações.

De alguém que muito te preza