domingo, 26 de abril de 2009

A mística das caneladas


A arte de perder
Jó, que o Antigo Testamento nos apresenta como modelo de paciência e perseverança, por ter resistido às duras provações a que foi submetido por Deus e o Diabo, é a figura que me ocorre neste fim de domingo, quando meu time de futebol, o Atlético, foi derrotado por seu rival mais aguerrido, o Cruzeiro, na primeira partida da final do Campeonato Mineiro. O placar de cinco a zero, num jogo que se esperava equilibrado, é parte de uma sequência já histórica de derrotas do Atlético em jogos nos quais enfrenta seu tradicional adversário. Costuma-se dizer que o torcedor autêntico não muda de time em razão de maus resultados.
Tento seguir esse dito, mas não ignoro que o preço dessa autenticidade é uma paciência de Jó. O futebol, para mim e meus companheiros de torcida, é cada vez mais um exercício de esperança em dias melhores, uma capacidade de tudo suportar com espírito inabalável, um ato de fé nos desígnios insondáveis que operam no gramado. Vou escrever à direção do Atlético e propor que, ao lado do galo, símbolo do time, inclua no emblema o velho Jó, cujo exemplo, melhor do que qualquer preleção de treinador, parece-me o mais adequado a nós, torcedores de um time que se perde em caneladas e há muito não conjuga o verbo "vencer".

3 comentários:

Paulo R. Diesel disse...

Aqui no sul também temos esta dicotomia.
Inter e Grêmio se revezam mas ultimamente o Inter tem se sobressaido.
Não desista. Persevere. Um dia as coisas mudam.

Abraço

Letícia disse...

Já imagino alguém dizer que o importante é competir. Não sei muito de futebol, Márcio. Mas é parte de nossa cultura. Alguns homens correndo, uma bola e a torcida. E que seu time vença no futuro.

Lia Noronha disse...

Marcio: o que direi eu...que sou Botafoguense de coração...lágrimas e lágrimas padeci...seria uma escrava de Jó?rsrs
Muita paz pra vc nessa manhã ensolarada por aqui.
Abraços mil!!!