sábado, 4 de abril de 2009

Eu renasci. Aleluia, Irmãos!


Reflexão teológica de uma pobre alma pecadora
sobre a esperança que existe após as filas de banco, aqui relatada para a glória do Senhor
e a edificação dos gentios

Enfrentar filas de atendimento em agências bancárias me causa desilusão, tristeza, desânimo, abatimento, melancolia, depressão, pessimismo, amargura, descrença e, para resumir tudo, desesperança. Por razões que a minha razão não consegue entender, principalmente nesta época em que os gerentes em busca de clientes falam tanto em desburocratização, tive que viver de novo essa experiência-limite durante a semana.
Foi de doer. Mas sou otimista e acredito, com ou sem base razoável para isso, que não há mal que não traga em si algo de positivo. Minha crença foi justificada. Voltei para casa abaladíssimo após o meu purgatório de 2 horas sob calor escaldante na agência, onde contei a passagem do tempo minuto a minuto, como se cada um deles fosse dez séculos. Para me distrair, retomei a leitura, iniciada um dia antes, da encíclica Spe Salvi, de Bento XVI, sobre a esperança.
No item 12 da edição brasileira publicada pela Loyola e a Paulus, dei com essa passagem em que o teólogo ousado que mora dentro do Papa encarou nada mais nada menos do que a tarefa de explicar de modo didático, em poucas frases, a vida eterna. Suas idéias a respeito, compostas com a clareza habitual nos outros livros do ex-cardeal Ratzinger, um brilhante professor universitário na Europa, valem a transcrição aqui:


"A palavra 'vida eterna' procura dar um nome a esta desconhecida realidade conhecida. Necessariamente é uma expressão insuficiente, que cria confusão (...). A única possibilidade que temos é procurar sair, com o pensamento, da temporalidade de que somos prisioneiros e, de alguma forma, conjeturar que a eternidade não seja uma sucessão contínua de dias do calendário, mas algo parecido com o instante repleto de satisfação, onde a totalidade nos abraça e nós abraçamos a totalidade. Seria o instante de mergulhar no oceano do amor infinito, no qual o tempo — o antes e o depois — já não existe" (página 23).


As palavras de Bento XVI clarearam minha mente. Se o "céu" é assim, também o inferno deve seguir a mesma lógica. O inferno há de ser também uma vida eterna sem "antes" e "depois", na qual cada minuto de sofrimento é vivido como uma eternidade. O Espírito Santo iluminou minha pobre inteligência ao ler o texto de Sua Santidade, e eu consegui juntar as partes do quebra-cabeça e enfim compreender: durante aquele período na fila, eu estava mergulhado no mundo das trevas engendrado pela rede bancária.
Mas consegui voltar dessa experiência de quase morte nos porões do Capitalismo. O bom Pai Eterno deve ter se compadecido de mim e resolvido me dar mais algum tempo no mundo sem filas. Agradecido, e tendo na memória a experiência purgatorial na espera por atendimento, prometi emendar a minha vida e renunciar ao pecado. Sou agora um homem novo, que renasceu para a esperança após sentir o fogo que faz arder a alma na fornalha do sistema financeiro. Em meio à conferência de extratos bancários, estou de volta. Aleluia, irmãos!

3 comentários:

mariza disse...

você viu a luz, irmão. o Senhor te salvou.

Amém.

*:)))

Biba disse...

Muito bom! Sempre é interessante, no mínimo, ler os seus escritos que trazem um tom sempre sarcástico. Gostei.

Beijos
Carpe Diem!!!

Fábio Reynol disse...

Eu me solidarizo ao seu drama bancário que é também de todos os brasileiros que não têm o mínimo cacife para ter um gerente que lhe atenda em casa. Isso já foi motivo de uma carta reclamação, que jamais foi respondida:
http://diariodatribo.blogspot.com/2008/09/o-banco-que-cara-do-trnsito-de-so-paulo.html
E B16 é sempre assunto de debates:
http://diariodatribo.blogspot.com/2008/03/bento-lana-sua-nova-coleo-de-pecados.html
abraço e aleluia,
Fábio Reynol