sábado, 11 de abril de 2009

Sobre a fruição dos bens públicos nas noites azuis de abril



Partindo do princípio de que todos devem pagar
Para usufruir dos bens públicos,
Seria o caso de aceitar de bom grado
Uma taxa que viesse a ser cobrada
Àqueles que desejassem contemplar a lua destes dias.
Na madrugada azul de abril,
ela é um espetáculo a céu aberto
Digno de ser visto da primeira classe.
Chega a ser incrível que algo tão belo
Não custe nada além de um olhar
E um gesto de voltar a cabeça para cima.

3 comentários:

Letícia disse...

Desde ontem que observo a lua, Márcio. Ficarei lunática, provavelmente, mas eu não canso de olhar a lua.

mariza disse...

Márcio,

aqui a lua é bela. e cheia.
mais belo, no entanto,
é o olhar que se eleva.

e à falta de melhores palavras, ou somente de uma que esteja à altura desse olhar aluado, busco amparo na poesia de Manuel Bandeira, um de meus poetas preferidos:

"(...)

Enfim, cheia, serena, pura,
Como uma hóstia de luz erguida no horizonte,
Fazendo levantar a fronte
Dos poetas e das almas amorosas,
Dissipando o temor nas consciências medrosas
E frustrando a emboscada a espiar na noite escura,
— A Lua
Assoma à crista da montanha.
Em sua luz se banha
A solidão cheia de vozes que segredam . . .

(...)"

e que esse olhar bonito nunca deixe de se e(n)levar.

mariza.

Liene disse...

Márcio,
A natureza é muito generosa. Os maiores e mais belos espetáculos acontecem a todo milésimo de segundo e poucos são os que têm a sensibilidade de observá-los e admirá-los. Basta ter o coração aberto e um pouquinho (basta um pouquinho mesmo!) de tempo para olhar atento aos pequenos detalhes de tudo que acontece ao redor.
As noites de luar é um desses espetáculos gratuitos!