quarta-feira, 25 de março de 2009

Sobre caça e caçadores


Um dia de vingança
O ditado sábio diz que há dias da caça e dias do caçador. Hoje foi a vez da segunda alternativa. No meio da tarde, depois de três horas com os olhos postos diante da tela do computador, entedi que deveria ir ao pátio e caminhar por uns 10 minutos. Com a cabeça cheia de prazos a cumprir, demorei alguns minutos para perceber que lá estava, escondendo-se da chuva fina, um gato preto, o mesmo, aliás, que nos últimos dias tem espantado os pardais que venho tentando a duras penas acostumar em meu quintal.
Senti que era chegada a hora da vingança. Voltei à copa, peguei um generoso pedaço de pão e o coloquei no meio do pátio, em local apetitosamente visível. Depois, com o coração pulsando, me escondi atrás da pilastra do anexo do quintal. E lá veio a minha vítima, esgueirando-se para escapar à chuvinha fina. Antes que ela se aproximasse do pão, dei um pulo de trás da pilastra. A expressão de terror que o bicho demonstrou, antes de sair em disparada com o pêlo eriçado, fez com que eu me sentasse para rir.
Não satisfeito, consegui fazer mais duas vezes a brincadeira. Na quarta tentativa, o gato deve ter entendido que não valia a pena tomar chuva para abocanhar um pedaço inatingível de pão. Não me dei por vencido. Pedi à minha office-girl que providenciasse um daqueles salsichões que estão nos sonhos de todo cão e gato, se é que eles sonham. O diabrete que me assessora nesses instantes de volta à infância sugeriu um fio de barbante atado à ponta da salsicha. Acatei logo a sugestão. Cinco minutos depois de amarrada a salsicha, lá estava o bicho.
Dando pequenos puxões no barbante a partir da janela do meu escritório, que dá para as garagens, vi o bichano se desesperar para comer aquela salsicha voadora, que ia subindo aos poucos a parede. Sua expressão, de quem não estava entendendo nada, me provocou nova crise de riso e fez com que eu me sentasse, pois o abdome começou a doer com uma dorzinha aguda. Quando me cansei da brincadeira, recolhi o petisco. E deixei o gato a ver navios.
Tenho a ligeira desconfiança de que meus funcionários não entenderam o que eu, geralmente preocupado com prazos, estava fazendo em pleno expediente puxando uma salsicha pelo barbante para irritar um gato que espanta passarinhos. Mas valeu a pena. Meu dia de vingança foi consumado com louvor.

5 comentários:

Maria Clara dos Santos Batista disse...

Aposto que o gato deve estar se perguntando:
"Desde quando salsichas voam?"
Ri muito com o seu texto.
Muito bom.

mariza disse...

Professor, não acredito numa só linha, o senhor não fez isso com o pobre bichano. isso é sacanagem de menino mau.

(tá certo, foi engraçado, preciso admitir... hunf!)

teresa disse...

Nossa realmente foi otimo ler este seu texto, o máximo, daria tudo para ver a pessoas que estavam ao seu lado neste momento pois vc super sério fazendo uma travessura de criança relamente hilário. Boa Noite Abraços

layla lauar disse...

poxa!!! Não posso acreditar que você fez essa maldade com o gatinho... "sniff"

Gosto tanto de animais, que roubei essa imagem do gato preto, que adorei, pode me processar, que não devolvo nem morta..rsss

Cuidado com a lei do retorno pois qualquer dia alguém pode tirar o pão da sua boca... afinal hoje você foi o caçador mas amanhã....rss

abraço

Mai disse...

Cara, eu dava tudo prá estar contigo nessa farra do gato...
Eu A d o r o gatos nunca matei nem aleijei nenhum mas quando os gatos me veem mudam de calçada...

Uma delícia esse texto.
Adorei tua amiga do barbante... Ela é das minhas.

E cadê o gato?