segunda-feira, 19 de janeiro de 2009

Elogio da Tempestade


Que me perdoem os altos sacerdotes
E os fiéis da Religião do Verão,
Esse credo mundial que, ano após ano,
Arrebanha milhares e os conduz
Às praias, piscinas, praças e ruas,
Mas, para mim, alguns dias de céu encoberto
Vêm bem a calhar.

Vou além nessa heresia contra o Sol:
Não me incomodo com as tempestades.
Acho-as mesmo imprescindíveis.
A questão é de paisagem.
Quando faz bom tempo,
Meus olhos vão do alto das montanhas,
Às planícies em que o capim ondula.

Porém, quando o céu está fechado
E o cinza-escuro resguarda o azul,
Ah, quando me é dada essa ventura,
Enxergo de modo mais claro,
Como se os visse pela primeira vez,
Os abismos e picos
Que se alternam dentro de mim.

8 comentários:

Juliana Dal Sasso Vilela de Andrade disse...

oi, márcio!
obrigada!
os grifos são meus sim, adoro esse texto inteiro, mas essa parte é minha favorita :)
beijos

Luciana F. disse...

Hoje amanheceu chovendo em Porto Alegre, e cotinua assim. Para mim, a paisagem do dia de chuva é injeção de ânimo...Acho tão lindo esse clima de blues que, paradoxalmente, acabo me empolgando! rsrrsrs...Abraço!

Liene Márcia de Oliveira Rezende disse...

Como não poderia deixar de ser, Márcio, você expõe uma sensibilidade além do comum. O tempo fechado é um convite à reflexão e ao autoconhecimento. Os dias ensolarados nos permite contemplar as maravilhas da natureza exterior. Mais uma vez, parabéns pela forma poética de escrever!

Clea Pinheiro disse...

O mais legal de gostar das pessoas
não é esperar delas o que precisamos, mas
É perceber do que elas precisam...
Acho uma grande demonstração de afeto,
não apenas querer ficar perto, mas também
deixar a pessoa consigo mesmo
Quando é isso que ela precisa e quer.
Bons dias! qdo for de chuva Márcio.
abraaaaço.

Flávia disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
Flávia disse...

Eu sou totalmente anti-verão. Fujo de sol como o diabo foge da cruz, e olha que moro no Norte. A chuva, ao contrário, sempre me encantou (Não é à toa que incluí Raindrops Are Falling on My Head na playlist). Talvez pelo clima um tanto nostálgico, que vem de encontro à minha natureza, talvez porque as coisas reassumam seu lugar no mundo livres de tanta gente e tumulto, talvez pq a gente também reassuma nosso lugar livres de tanta coisa e gente e tumulto, talvez por uma outra razão que eu não sei definir, mas que você, que também prefere a chuva, provavelmente já sabe.

Beijo :)

nanda disse...

Gostei muito deste pequeno texto. Ás vezes não são necessárias muitas palavras... para se dizer muito! Vou publicá-lo. Obrigado por partilhar comigo sua escrita.

intelligence disse...

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