domingo, 23 de junho de 2013

Poesia como espanto de existir I


Um poema,
na vida humilde
dos poetas amadores,
não é obra de superior inspiração.
É só o que resta
quando o espírito
já não pode guardar para si
o estranhamento
de ser único e sentir o mundo
como o longo caminho
em que se vai do embrião ao pó
irremediavelmente,
e, para sempre,
só.

Poetai, portanto,
líricos não profissionais.
Poetando,
exorcizai de vossos corações,
com a coragem última
de quem troca o medo do escuro
pela esperança da aurora,
a dor aguda de ser sozinho,
essa dor que, posta em palavras,
e dita sem fantasia,
colhe da realidade amarga
a fruta doce
da poesia.

Imagem: Alfred Sitglitz

2 comentários:

Silvia Mota Lopes disse...

É o meu caso...
Uma poetisa amadora que pinta palavras pequenas!

Margarida Rodrigues disse...

Aprecio bastante o seu blog e os seus posts. Sempre que posso tenho visitado o mesmo e delicio-me com o que escreve. Até coloquei na barra de favoritos :)

Espero que continue com o bom trabalho.

Cumprimentos

Margarida Fonseca Dias

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