segunda-feira, 11 de outubro de 2010

Nem antes nem depois

Os últimos acontecimentos levaram-me a lançar um olhar novo à literatura filosófica sobre a morte. Voltando aos estoicos, percebi que não os tinha compreendido a fundo quando da primeira leitura, feita no verdor da adolescência. Agora, já com a maioria dos cabelos grisalhos, descobri que não tinha dado o devido valor a ensinamentos como o que nos recomenda viver mais o presente e não nos preocuparmos tanto com o passado, pois ele já se foi, e com o futuro, pois ele ainda não veio. Admito que isso é mais fácil de sugerir do que de realizar, mas nem por isso deixo de reconhecer a beleza e a profundidade da lição. Sob a inspiração do estoicismo revisitado, e em busca de serenidade para avaliar a grande questão colocada pela nossa incontornável finitude no tempo, voltei aos versos de Alberto Caeiro, que conheço de longa data, e senti uma emoção diferente da que me tomou no momento em que os li pela primeira vez:

Sejamos simples e calmos,
Como os regatos e as árvores,
E Deus amar-nos-á fazendo de nós
Belos como as árvores e os regatos,
E dar-nos-á verdor na sua primavera,
E um rio aonde ir ter quando acabemos!...

2 comentários:

Fernanda disse...

A simplicidade das coisas guarda a sabedoria que muitas vezes na nossa soberba nem notamos ou esquecemos que existe.
Gostei do poema que foi buscar de Alberto Caeiro. Eu tambem gosto deste poema, que se chama "A Espantosa Realidade das Cousas", sobretudo desta parte que deixo aqui:
-"A espantosa realidade das cousas
É a minha descoberta de todos os dias.
Cada cousa é o que é,
E é difícil explicar a alguém quanto isso me alegra,
E quanto isso me basta.

Outras vezes oiço passar o vento,
E acho que só para ouvir passar o vento vale a pena ter nascido. "

Uma boa semana Marcio

Márcio Almeida Júnior disse...

Uma boa semana para você também, Fernanda. É bom saber que Caeiro também está entre suas leituras.