sábado, 28 de novembro de 2009

A trégua

Eu e o tempo quente temos uma antiga desavença. O calor forte destes dias me lança numa batalha atroz. Desde as primeiras horas da manhã, tenho que reunir coragem para seguir adiante em cada gesto. As ações rotineiras, por mais insignificantes que sejam, tornam-se uma conquista. E assim, nessa luta contra a alta temperatura, passo o dia. A trégua só vem depois das 19 horas, quando a noite conquista o seu espaço. Para celebrar sua chegada, criei o hábito de me sentar numa cadeira no quintal e fechar os olhos à espera das estrelas. É uma alegria quando elas enfim despontam no céu, acompanhadas por uma aragem leve que parece, ela também, cansada de lutar contra o mormaço e quase incapaz de mover as folhas das árvores e o capim do pastos. Nesse momento de glória, sentindo o vento no rosto, abro os olhos e sei que posso ir dormir em paz.

1 comentários:

Mai disse...

Por outro lado, o frio contrai e entristece.
Tenho sorte de morar nas montanhas e lá embaixo, uma hora e meia descendo a serra, encontro o mar.
20° faz neste exato momento.

Abraços.